sexta-feira, abril 15, 2005

PUC por um dia


Sim, eu fui na PUC sozinho. Tive a coragem de encarar horas de viagem e inúmeras pessoas a minha volta que não conhecia. Sim, eu sou louco. Encarei a fome e a solidão como um intruso totalmente perdido num território alheio.

Numa viagem de ônibus angustiante com menininhas de algum colégio da zona sul empentelhando nas minhas costas, parto para a PUC com o único objetivo de ver alguma palestra sobre Comunicação Social. Estava disposto e alegre para vê-la. Que alegria! Bem, as esperanças de assistir alguma logo se desfarelaram quando descobri que não tinha mais senha para entrar nela... Minha ida tinha sido em vão. Mas não podia ficar assim. Perdido igual a um canguru na Amazônia e morto de fome que nem um cachorro vira-lata, perambulo por lá em busca de alimento. Fast Food. Salgados. Tudo caça-níquel! Fico indignado com tal situação e parto para o refeitório.

Com a pança cheia, vou finalmente para uma palestra de história que não precisava de senha. Lá sento no chão e assisto...como queria estar vendo a de comunicação... Eram os alunos do curso de história de lá que falavam sobre suas pesquisas. Bem que percebi a insegurança inicial de alguns, algumas alunas falavam e não diziam nada, porém, independente disso, todos estavam atentos à elas (sim sim, com duplo sentido, por favor).

Finada a palestra saí em busca de alguma coisa que não sabia o que. Oba, um lugar que eu já havia conhecido com Roberta e Léo: a biblioteca. O que há de interessante para se ler? Glauber Rocha? Não, tema de trabalho agora não. Paulo Coelho? Não, não! Bem, pensei e pensei, chegando a brilhante conclusão de pegar uma novela de 74 do Chico Buarque: Fazenda Modelo. Leio até alguma página que não recordo. Lembrou-me Revolução dos Bichos.

A faculdade estava muito cheia, muito mais do que a primeira vez que tinha ido, num dia normal. Tinha escolas, muitas pessoas, e o que me chamou mais atenção, dando-me licença, foi a quantidade extremamente grande de garotas bonitas. Acho que até hoje nunca tinha visto tantas num lugar só.

Voltando para casa zerado e cheio de sono, fico a lembrar, no ponto de ônibus em frente ao Canecão, do show do Los Hermanos. Um marco na minha vida. Não por causa apenas da banda em si, mas pelo clima que o Canecão e seu redor nos proporciona, algo muito mais aconchegante que o robótico e new technology Claro Hall nos proporciona. Talvez por eu conhecer aqueles arredores mais ou menos bem, porque freqüento Botafogo desde criança. Volto para casa e grito um "Mãe, estou vivo!". A comunicação Casa-PUC foi impossibilitada de acontecer por motivos de não-carregamento do celular. Transtorno atualmente solucionado.