sábado, maio 28, 2005

Doideira

O fato é que as provas vêm chegando, meus nervos aflorando, minhas pálpebras irão fechar ao ler um capítulo da apostila de Física e o mundo girará como sempre. É a minha rotina de época de prova, mas o bom é que o Botafogo tá entre os primeiros... O que vai influenciar isso na minha vida? Nada. Pois bem, então porque me preocupo? Porque no meu psicológico influencia, posso dizer para as pessoas que MEU time está bem e, comparando com os delas, está melhor. É, só para mostrar para todos que você está melhor, puro ato egoísta e de competição. Na verdade nossa vida é cheia de comparações, a gente vive se comparando, ficamos felizes ao saber que existe gente pior que nós... Eu penso que tem algo errado, sempre há algo errado, mas fingimos que não, e para piorar nos contentamos com tal atitude. A melhor atitude de uma pessoa para si própria é a capacidade de tentar melhorar. Tento carregar isso comigo apesar do comodismo insistir o contrário. Viva a mudança, ela sempre tem um motivo para acontecer...

sábado, maio 21, 2005

Universo do Discurso

Aquela cidadezinha a milhares de quilômetros da metrópole tinha algo de especial. Vivia-se com tranqüilidade naquela região. Naquela casa de frente para a rua, onde se observava um bom movimento durante o dia, vivia Dona Silvana e seu filho único, Pedro. O pai deste havia morrido quando ainda era bem pequeno, motivo do qual não guarda tantas lembranças de momentos paternos.

Daquela janelinha se via tudo, desde os comerciantes gritando aos berros na ânsia de vender algum produto, até homens vestindo roupas sociais, aparentemente a caminho de algum trabalho longe dali ou de alguma igreja. Era interessante parar e examinar aquela agitada rua interiorana. A janela da casa da Dona Silvana permitia ver a parte mais movimentada. Pedro, desde cedo, ficava ali a olhar as pessoas passarem, umas lenta ou apressadamente, outras com suas crianças agitadas a correr pela pista que, apesar da pouca presença de automóveis, deixavam as senhoras e babás extremamente enlouquecidas com tais travessuras.

E era de praxe Pedro ir à janela para se distrair um pouco, até porque não havia tantas opções de lazer em casa. Refletia muito naquele local e imaginava sua profissão ao notar os diferentes tipos de trabalhadores. Para aonde iam aquelas pessoas? Da janela só se sabia a que horas saiam e voltavam. A imaginação aflorava seus pensamentos e o levava a fantasiar o motivo de tanta correria.

Pedro construía o mundo a partir de seu olhar naquela janela, idealizava seu futuro e analisava cada indivíduo em questão, incluindo suas paixões, como Mariazinha. Ela era a mulher que gostaria de casar-se, mas apesar de tanto sentimento, mal a via na rua, a não ser por aquela janela fofoqueira de Dona Silvana.

De noite parava ali e via o luar invadindo as janelas dos vizinhos. Umas mais iluminadas, outras menos. A aconchegante luz da lua cheia era a melhor maneira de relaxamento, e ali sua presença era marcante. O universo, com sua enormidade, observava aquela janela toda a noite, como se estivesse querendo entrar por ela e ver o que estava acontecendo no interior da casa.

Pedro, por sua vez, ao postar-se naquele lugar, via o mundo e todas as suas facetas: mulatos, orientais, negros, brancos. Tudo isso lhe fazia imaginar o planeta e suas diferentes personalidades. Mas sua maior dúvida era: será que as pessoas não percebem que estão sendo observadas?