Jaz as Assassinas
Ontem (03/03) fez 10 anos que os Mamonas Assassinas faleceram. Lembro-me perfeitamente desse dia do ano de 96. Naquela época eles estavam um pouco sumidos dos programas de televisão, depois da superexposição do ano interior. Tinha cessado aquela febre fervorosa que ardeu tanto em 95. E eu, no auge dos meus 9 anos recém completados, era um admirador daquela banda, apesar de uma rejeição inicial, mas isso não vem ao caso. Todo domingo no Gugu eles estavam lá. Faustão também sugou tudo que podia. Eles precisavam de uma parada pra começar de novo. Lembro-me que um dia ou no máximo uma semana antes do acidente, meu irmão teve a "brilhante" idéia de apagar a fita com as músicas deles (naquela época era fita, aliás, foi gravada de um cd de um vizinho. CD era como DVD hoje.), mas reneguei na hora, mesmo estando há tanto tempo sem ouvi-la. Ao acordar no domingo e ligar no SBT para ver o desenho Street Fighter (era novo, era auge) e estar super feliz e emocionado vendo aquele anime tão encantador para aquela criança, vem minha mãe com a notícia, a qual ela tinha escutado na rádio mais cedo. Tudo parou. Como diria John Lennon, o sonho acabou. Um dos maiores motivos de felicidade da minha infância tinha acabado. Não houve lágrimas. Apenas a esperança desesperada de algum sobrevivente, mas não havia. Eles eram a junção do humor com música variada, paródia, bons músicos. O que restou foi ver aquele Fantástico praticamente todo dedicado aos Mamonas, como no Ayrton Senna. Pena. E agora? Substitutos! Claro, os Raimundos! Eram rock, eram engraçados, irreverentes, mesma época. Não, mas eram muito adultos... Não entendia as gracinhas... Era muito pesado também. Foi aí que vi que não há substituições completas. Tive pesadelos, não conseguia dormir. Nada me agradava mais na música. Nem o Ultraje a Rigor (o equivalente aos Mamonas nos anos 80, se levarmos em conta o humor e o sucesso) com sua volta agradou tanto. Bom, a música só voltaria para minha vida no Rock In Rio, de um modo mais pesado, dark, pop, farofa e tipicamente adolescente. Mas isso é papo pra outro dia.

