sábado, janeiro 29, 2005

Lua Branca

No céu estrelado
Vejo um brilho no azul
Imagino aquilo
Imagino o passado
Presente em meus pensamentos
Estávamos na mesma constelação
Sua pele branca constratava com a escuridão
Brilhava como a Lua
Você me ajudava a crer
Na imensidão do meu sentimento
No universo em que via,
Ao seu lado...
Mas você resolveu se perder no infinito
Sumiu de minha vista
Arranhou o que eu tinha nas mãos
Preferiu a noite sem Luar
A noite sem estrelas
O céu sem o infinito
E estás aqui de volta
A esperar-me como outrora
Diria não se eu fosse racional
Mas digo sim...
Se ficar aqui
Nós seremos tão altos
Que dançaremos
Em cima das estrelas
Do nosso céu

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Ela

Avistou-a de longe. Sabia que era ela. Se o visse ali iria vir falar. Mas não queria, não achava que estava apresentável. Vistia um par de chinelos, um camiseta branca e um bermuda azul escuro. Ela se aproximava, enquanto mastigava o mais rápido que podia seu sanduíche. E sem mastigar por completo entornava o suco rapidamente na goela. Ela olha pra o lado, atravessa a rua descontraída e olha para frente. Pronto. Ela o viu. Estava olhando para sua direção e logo abriu um sorriso. Incrédulo, sorri, num misto de nervosismo com surpresa. Ela pergunta como está e ele responde um tímido "Tudo bem e você?". Ela responde "também" e logo emenda um "E como vai a família?". Ele Responde: "Estão em paz, graças a Deus". Ela parecia estar com pressa, vistia sua roupa de trabalho toda preta e usava uma bolsa. Realmente ficava bem naqueles trajes. Sentia algo por ela mas estava certo de que nunca iria falar isso. De certa forma apreciava esse amor platônico que não trazia tantos problemas e se materializava perfeitamente em sua mente. Apenas devia tomar cuidado quando fossem conversar, ainda mais sendo em horas inesperadas como aquela. Fazia de tudo para que ela tivesse uma imagem perfeita dele mas sabia que não conseguia, sempre dava alguma mancada. Mas mesmo assim aquela moça parecia gostar dele, demonstrava alegria ao vê-lo. Talvez fosse apenas impressão. O "gostar" ao qual ela se referiria a ele seria apenas o de amigo ou de um amigo "super simpático, uma gracinha, mas é novinho!". Não, esse "mas é novinho" ela não falaria, não aparentava dizer coisas do tipo, até porque devia ter seus homens de terno, cabelos molhados, altos e acima de tudo mais velhos que ele dando em cima dela o tempo todo. Era uma mulher disputada com certeza. Pensa na possibilidade dela ter um namorado mas acha que estaria muito atarefada para esse tipo de coisa. Seu sorriso passava paz. Ficou absorto ao contemplar seus dentes e ao sentir que aquilo era o que havia de mais belo para se apreciar. Ela o interrompe: "Você deveria aparecer lá na minha casa com sua família!". Ela já tinha até casa! Mal passou aqueles tempos em que a via com as amigas do prédio a brincar de "adedonha" e outras brincadeiras de papel que não se recorda do nome. Ele responde: "Sim, claro, seria um prazer.". Fita-a e desvia rapidamente para uma criança que esperneava na calçada com sua mãe desesperada segurando sua mão. Não conseguia encarar aqueles olhos castanho claro cintilando na sua frente. Eram belíssimos. Preferia olha-los brevemente e imaginá-los na mente, era algo muito mais tranqüilo. Ela ajeita a bolsa e coloca sua mão dentro. Pega uma folha rasgado de algum caderno e anota algum número. Entrega a ele e diz: "Meu telefone. Entrega para sua mãe!Olha, eu tenho que ir agora, essa vida de trabalho é dura!" - olha para ele como se ela fosse sua mãe lhe dando algum sermão. Depois ela completa: "Diz pro seu irmão que eu mandei um abraço e caso ele puder me ligar...". O que ele não queria ouvir ouviu. Seu irmão, seis anos mais velho que ele, teve um namorico nada sério com ela quando eram mais jovens. Talvez agora ela devia estar a fim de reatar isso. Estava acabado. De chinelo, o pé coçando, com a boca seca, observa-a esboçando um tchau mostrando os dentes e virando-se rapidamente, como se nada tivesse acontecido. Era um absurdo seu irmão ganhar o telefone de uma garota como aquela às suas custas, logo ele que nunca o ajudou com nenhuma menina, apenas abocanhava todas que apareciam, sem dar chances a ele. Mas nenhuma se comparava à ela. Achava difícil ela se interessar pelo seu irmão depois de tanto tempo distantes. Estava muito mais madura que ele. Ele continuava o bobalhão de sempre, o bobalhão que conseguiu perder uma garota como ela. Mas é melhor esquecer isso, realmente ele não tem a menor chance. Ficou a pensar ali durante quase meia hora. Levantou-se, espreguiçou-se, tomou o resto de suco quente que restava, olhou em volta e finalmente começou a caminhar lembrando-se de supetão que haveria prova na manhã seguinte e mal sabia a matéria.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

O Filé de Coxinha

Hoje estava com uma fome que me matava. Não era só fome, estava indisposto, cansado, com sede. Já que não tinha muita coisa pronta em casa resolvi ir na rua ver se comia algo. Fiquei passeando, fui a uma loja de cds onde passava um dvd do Babado Novo(!). Olhei uns cds em promoção, fui para um lado, para o outro, vi um cd do Gil, diminui a velocidade à espera de uma passagem da moça da frente e percebi que com fome eu não bato bem. Era hora de me alimentar. Fui até um Bob's e olhei os preços. O lanche de 10 reais logo me chamou a atenção de que eu não comeria ali. Fui a um tal de Giraffas, nunca tinha comido lá antes. Demorei um bocado até escolher minha refeição (a minha cabeça enlouquece quando se tem muitas opções). Tá. O prato é um tal lá que se chama Coxxa. Era alguma espécie de filé feito de coxa de galinha, parte da galinha que eu renego sempre que me perguntam num almoço: "Quer uma coxa?", mas eu não prestei a atenção e fui logo escolhendo esse...Fui pagar. Tinha um cara na minha frente e a moça balconista me olha como se fosse a minha vez, mas logo desvia e eu fico parado de boca aberta pronto pra falar o meu pedido. Bem, acho que não era a hora. Peço finalmente, espero um pouco e vou com a minha bandeja arranjar um lugar vazio. Nossa, que comida mais estranha fico pensando...A carne era bem mole e quando noto que aquilo era realmente coxa eu logo me lembro da minha aversão à coxa de galinha. Se eu não tava gostando antes agora que sei do que se trata é que eu ia gostar menos ainda! Mas comi, porque na verdade eu como, mas não gosto, evito. Enquanto comia solitariamente, percebia o lugar: um casal com uma filha pentelha, um outro casal de gordos se beijando, um rapaz e uma moça que não aparentavam ser casal. Olho de longe e vejo uma mulher no telefone do shopping, nesse momento percebo a falta que me faz meu óculos, via tudo embaçado. E nada do filé de coxinha acabar. Ao meu lado tinham dois homens conversando e mais adiante deles havia uma televisão com uma imagem bem ruim. O Jornal Nacional não estava interessante, até porque ver um repórter com um microfone na mão batendo com os lábios não é lá muito interessante. Até que vem chegando uma mulher, blusa amarela, calça branca, com uma bolsa. É, isso sim é interessante... Apresso com meu filé de coxinha e termino com a convicção de que nunca mais vou comê-lo. Andando na rua vejo que parecia que eu tinha engolido alguma coisa mas a fome não tinha ido embora totalmente. Pra não entrar em tédio total vou à locadora e alugo um filme que estava a fim a bastante tempo. Volto pra casa e nesse momento nem sei onde coloquei o dvd. Logo depois jantei de novo.