O Quarto - Parte I
Sentando no sofá, Oswaldo lia o vespertino do dia. Estava
com uma xícara de café na mão, sempre colocando-a na mesa de
cabeceira quando saciado. Era uma véspera de feriado, não teria que
trabalhar no dia seguinte, apesar de saber que isto não dizia nada,
já que seu sempre puxado emprego o fazia trabalhar em casa até em
dias de folga. Seu apartamento recém comprado dava-lhe um orgulho de vitorioso. Mostraria em breve para seus pais sua conquista. Mas sua
maior conquista, a qual iria compartilhar este bonito apartamento, não era mais sua amada. Havia brigado semanas antes de se mudar e esse relacionamento de seis anos já dava sinais de fraqueza. Brigas por coisas bobas, ciúmes exagerados, a impaciência perante os defeitos e costumes de cada um. Tudo isso e mais um pouco era motivo de discórdias entre ambos. Se na época quando conheceram-se tudo era perfeito, depois daqueles anos todos tudo parecia ser entediante. O rosto de cada um já era comum demais, como todas as outras coisas em volta. Não eram mais novidades, e já que não, não eram mais interessantes.
Terminou de ler o jornal, colocando-o na mesinha. Era sete horas da noite quando toca a campainha. Surpreso por chegar alguém àquela hora a sua casa, anda apressado já mirando o olho mágico. Na escuridão do corredor, vê a silhueta de Lúcia a olhar para o chão esperando a porta ser aberta. Oswaldo gelou. Não esperava naquele momento uma visita, ainda mais de Lúcia. Abriu a porta com certa relutância e logo a luz de dentro iluminou aquela mulher. Possuia uma bolsa preta nos braços, vestia uma blusa branca com detalhes de flores rosas e uma calça jeans habitual. Ela tinha um ar independente, seus cabelos negros deixavam sua presença ainda mais marcante. O rosto cândido constratava com os olhos negros e cintilantes, que fitavam Oswaldo quando este abriu a porta. Ficaram assim por alguns segundos até Oswaldo resolver falar:
- Oi... - falou desviando o olhar.
- Preciso conversar com você, Oswaldo.
- Sim, claro...entre. - disse ele, perdido.
Lúcia entra, caminha devagar pelo corredor, olhando os quadros que havia nas paredes, enquanto Oswaldo fechava devagar a porta, pensativo. O que será que ela queria? Rapidamente, o dono da casa arruma o sofá da sala de estar para Lúcia se acomodar. Ela agradece cordialmente e senta. Oswaldo senta no sofá do lado, claramente com o objetivo de não haver qualquer tipo de contato físico. Lúcia, com as pernas cruzadas e sua bolsa no colo, continua a observar atentamente em volta da casa e pergunta a ele:
- Bonita casa. Bonita decoração. Quem lhe ajudou?
- Um amigo meu, o Neves. Ele sabe de algumas coisas desses
trabalhos...
Lúcia, concordando longamente, solta um longo som afirmativo com a boca fechada.
O silêncio que já aparecia, permaneceu ali por mais tempo. Oswaldo então solta o que queria dizer desde que a viu pelo olho mágico:
- Pois então, para que vieste?
- Você sabe o porquê. - diz Lúcia com firmeza.
- Me desculpe, mas não sei o motivo por estar aqui. - retrucou Oswaldo, confuso.
- O motivo de nossa separação.
Oswaldo sabia que aquilo era um assunto extremamente delicado. Sabia que aquele assunto era a razão da visita de Lúcia. Mas não sabia o que aquilo tudo poderia causar.
com uma xícara de café na mão, sempre colocando-a na mesa de
cabeceira quando saciado. Era uma véspera de feriado, não teria que
trabalhar no dia seguinte, apesar de saber que isto não dizia nada,
já que seu sempre puxado emprego o fazia trabalhar em casa até em
dias de folga. Seu apartamento recém comprado dava-lhe um orgulho de vitorioso. Mostraria em breve para seus pais sua conquista. Mas sua
maior conquista, a qual iria compartilhar este bonito apartamento, não era mais sua amada. Havia brigado semanas antes de se mudar e esse relacionamento de seis anos já dava sinais de fraqueza. Brigas por coisas bobas, ciúmes exagerados, a impaciência perante os defeitos e costumes de cada um. Tudo isso e mais um pouco era motivo de discórdias entre ambos. Se na época quando conheceram-se tudo era perfeito, depois daqueles anos todos tudo parecia ser entediante. O rosto de cada um já era comum demais, como todas as outras coisas em volta. Não eram mais novidades, e já que não, não eram mais interessantes.
Terminou de ler o jornal, colocando-o na mesinha. Era sete horas da noite quando toca a campainha. Surpreso por chegar alguém àquela hora a sua casa, anda apressado já mirando o olho mágico. Na escuridão do corredor, vê a silhueta de Lúcia a olhar para o chão esperando a porta ser aberta. Oswaldo gelou. Não esperava naquele momento uma visita, ainda mais de Lúcia. Abriu a porta com certa relutância e logo a luz de dentro iluminou aquela mulher. Possuia uma bolsa preta nos braços, vestia uma blusa branca com detalhes de flores rosas e uma calça jeans habitual. Ela tinha um ar independente, seus cabelos negros deixavam sua presença ainda mais marcante. O rosto cândido constratava com os olhos negros e cintilantes, que fitavam Oswaldo quando este abriu a porta. Ficaram assim por alguns segundos até Oswaldo resolver falar:
- Oi... - falou desviando o olhar.
- Preciso conversar com você, Oswaldo.
- Sim, claro...entre. - disse ele, perdido.
Lúcia entra, caminha devagar pelo corredor, olhando os quadros que havia nas paredes, enquanto Oswaldo fechava devagar a porta, pensativo. O que será que ela queria? Rapidamente, o dono da casa arruma o sofá da sala de estar para Lúcia se acomodar. Ela agradece cordialmente e senta. Oswaldo senta no sofá do lado, claramente com o objetivo de não haver qualquer tipo de contato físico. Lúcia, com as pernas cruzadas e sua bolsa no colo, continua a observar atentamente em volta da casa e pergunta a ele:
- Bonita casa. Bonita decoração. Quem lhe ajudou?
- Um amigo meu, o Neves. Ele sabe de algumas coisas desses
trabalhos...
Lúcia, concordando longamente, solta um longo som afirmativo com a boca fechada.
O silêncio que já aparecia, permaneceu ali por mais tempo. Oswaldo então solta o que queria dizer desde que a viu pelo olho mágico:
- Pois então, para que vieste?
- Você sabe o porquê. - diz Lúcia com firmeza.
- Me desculpe, mas não sei o motivo por estar aqui. - retrucou Oswaldo, confuso.
- O motivo de nossa separação.
Oswaldo sabia que aquilo era um assunto extremamente delicado. Sabia que aquele assunto era a razão da visita de Lúcia. Mas não sabia o que aquilo tudo poderia causar.


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial