domingo, setembro 04, 2005

QUANDO A VIDA E A ARTE CAMINHAM JUNTAS

A mídia é invadida hoje por inúmeras bandas que se dizem fazer rock, punk, e o que for, mas quando vista a qualidade musical desses tais grupos nos deparamos com uma ninhada de músicas insossas e de pouca originalidade.
Na verdade, o fato de tais bandas estarem tão evidentes na mídia se deve ao fato da rapidez que é vendido e de uma garantia maior de que não irão fracassar nas vendas. Quando se há um trabalho menos "comum" logo se torce o nariz no primeiro momento, e esse é um dos grandes medos de gravadoras: o inovador. Muitas vezes esse inovador pode não vir a ser um sucesso, o que é o bastante para o não lançamento de uma forma mais evidente.
Tá aí 3 caras que fazem (ou faziam) um rock honesto e de boa qualidade. Dois deles morreram e um quase se afundou nas drogas... Pra ver como é a vida...


John Frusciante
Esse cara aí é o guitarrista do Red Hot Chilli Peppers. Calma! Ele não faz aquele pop-funk-rock dos pimentinhas, muito pelo contrário. Depois que saiu RHCP, fez uma curta carreira solo e apesar da volta ao grupo em 99, continuou a lançar discos paralelamente. Virou um dependente de droga e simplesmente se isolou do mundo, apenas a companhia dos entorpecentes. Lançou discos obscuros nessa época negra, discos dos quais são totalmente, digamos, toscos. Mas, como toda história de final feliz, se livrou do vício e hoje vive uma vida saudável. O que é bom, pois agora pode fazer bons discos em sã consciência e até pegar inspiração daquela época. É o que ele faz. Fala de morte, arrependimento, renega seu passado. Tudo num bom rock.
Se está a fim de ouvir música legal, sem grandes pretensões, recomendo.
Disco Recomendado: Shadows Collide With People


Jeff Buckley
Começou a carreira em 94, com Grace, cd que inspirou até Thom Yorke e seu Radiohead, só ouvir a melancolia dos vocais de ambos. Aquela época, auge do Britpop, com Blur, Oasis, Radiohead, Portishead e muitas outros nomes de peso surgindo, esse cara lançava um cd quase que religioso, com vocais ora meio líricos, ora desesperados. Passava bastante emoção no cantar e deixava transparecer que aqui não era o mundo dele, queria fugir, sair desse inferno que é a Terra.
Tanto é que foi encontrado morto numa piscina em 97, no auge, e com um segundo disco interminado. Triste. Poderia ter lançado bons trabalhos. Mas seu tempo havia terminado.
Deixa aqui o que melhor fez.
Disco Recomendado: Grace


Elliot Smith
Esse americano, pouco conhecido fora do meio alternativo, lançou alguns álbuns bastante cultuados. Dono de um estilo leve, calmo, mas com uma levada rock, Elliot começou seguindo um estilo lo-fi. Fato que não ocorreu alguns discos depois. Ele mesmo afirmou que só fazia lo-fi por não ter recursos disponíveis. Seus últimos trabalhos demonstram uma maior preocupação com os arranjos, vocais e limpeza do som.
Foi indicado ao Oscar por uma música feita para um filme do Gus Van Sant (não ganhou, óbvio, e quem ficou com a estatueta foi Celine Dion com o tema do Titanic, óbvio). Seu sucesso entre os indies o fez como um porta-voz da sua geração, fato que nada o agradava (como muitos astros, essa vida de celebridade não era bem vista).
Seu suposto suicídio fez confirmar o que já precedia em suas letras, algumas até explicitando tal ato. Foi lançado um disco póstumo um ano após a sua morte.
Quando falavam que fazia música triste dizia: "mas faz-me tão feliz tocá-las!"

Disco Recomendado: XO

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