quarta-feira, novembro 23, 2005

Em nome de Deus?

A hipocrisia impera. O Vaticano cancelou o show que Daniela Mercury faria na celebração do Ano Xaveriano, dia 3 de dezembro. O motivo: Daniela participou de uma campanha na tv para a prevenção da Aids. O show, que terá a presença do Papa Bento XVI, será uma apresentação com artista de todas as partes do mundo.
A Igreja atinge não só a moral da cantora mas também a moral de quem vê na camisinha uma forma de impedir que a Aids continue se espalhando e matando milhões de pessoas. A Aids surgiu a pouco mais de 20 anos. A Igreja Católica tem, pelo que se sabe, 2.000 anos. Ter os mesmo conceitos quanto a segurança no sexo dois milênios depois e fechar os olhos para os novos males que aparecem não é muito encantador. A cantora, católica, foi impedida de cantar, sem cerimônia. Atitudes como essa não condiz com as palavras que o alto clero teria que pregar. Alías, o alto clero, os que estão lá no Vaticano, são muito mais políticos egoístas do que homens efetivamente preocupados com os problemas do mundo. Por que eles, que possuem tanto dinheiro, não ajudam as vítimas de catástrofes em vez de só mandar-nos rezar? Para que tanta riqueza, tanta prepotência?
O novo Papa, sem o carisma do antecessor, demonstra muito interesse em manter o que lhe é interessante e modificar o que não lhe agrada. Recentemente tirou a autonomia que Fransciscanos tinham desde 1969, rancor que guardou desde 86, quando esses fizeram índios dançarem em cima de um altar e por sacrificarem um frango, em uma cerimônia.
Fatos como esse da Daniela, decepcionam católicos e enfurecem ainda mais os não-católicos. Como não enxergar a África e ver os milhões de pessoas que morrem ao ano pela Aids? Mas a camisinha não é totalmente segura, apenas 99,9%. O 00,1% é um dos pretextos da Igreja contra a camisinha. Ela tem sua doutrina, seus ensinamentos, todos devem ficar cientes disso. Mas ser contra algo que é para o bem da humanidade não é muito legal.
Mesmo nós que somos católicos, que vendo na confraternização, na bondade para o próximo, na espiritualidade diante de Deus grandes virtudes que estão nos ensinamentos bíblicos, nos decepcionamos com as pessoas que deveriam nos dar exemplo. Respeito a opinião deles, eles têm seus motivos, mas a forma arrogante de mostrar-se contra não é agradável.

P.S.: Vi a notícia da Daniela Mercury na coluna de Ancelmo Gois (O Globo) do dia 23/11/2005.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Ao Sol.

Ao som.
Pronto. A música chega aos ouvidos, penetra o coração e lhe faz mexer o corpo. Num só segundo. Só isso.
À vida.
Pronto. Sente que aquele momento é único e singular. Vibra aos que estão ao redor. O êxtase vem à tona.
Ao saber.
Seria a felicidade a única maneira, sim, a única maneira de guiar ao êxtase.
Ao êxtase.
Vive o transe da melodia tomar toda sua pele, arrepiando-se. Origina dali um outro ser, o ser que saberá diferenciar o bom do ruim.
Aos olhos.
Verá tudo aquilo. Num piscar sentirá as almas penetrando seu corpo e misturando-se a sua. Você é ela. Ela é você.
Ao sonho.
A imaginação se mistura com a realidade e desemboca na sua frente. O êxtase novamente desabrocha.
Ao fim.
Serás o novo e único ser da Terra. Tudo estará em você. Nada mais precisará, porque tudo tem.

Sentirá o prazer de estar vivo. Renascido.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Reflexão

Ela corria sem os sapatos na praia deserta. A noite iluminava um pouco a areia úmida. Seu destino era indefinido, corria, corria, corria... Ela cai de supetão de joelhos e logo em seguida, com as vestes molhadas da água do mar, deita-se no chão. Contemplando a lua cheia, aquela luz penetrando seus olhos, aquele sentimento de aconchego. A areia suja-lhe os cabelos, mas não liga. Os prédios ao lado são como torres com olhos brilhantes a observá-la. Como um local tão belo como aquele estava tão vazio num momento daqueles? Não havia hora melhor para visitar uma praia, achava a dama noturna. A solidão lhe fazia bem, o sentimento de solidão que tantos renegam estava lhe trazendo prazer, sentia uma melhora no estado de espírito. Mas até quanto tempo ficaria ali, feliz sem ninguém ao lado? Achava que nunca se sentiria infeliz, havia a lua ao lado, havia ela ao lado, havia seu Deus ao lado. O que precisaria mais? Pois quando lhe veio à lembrança momentos felizes, não tão semelhantes ao que vivia naquele instante, momentos em que havia pessoas em volta, seu coração sentiu um pesar. Um pesar por saber que sua felicidade naquela ocasião era incompleta, só via um lado de seu humor. Estava feliz, mas não notava que havia uma outra parte sua que estava completamente vazia e amargurada, necessitando dos gracejos que a lua lhe dava.
Seu céu se apagou, acordou e, sob a escuridão de um quarto fechado, procurou a luz. Ao acender viu um homem. Não o conhecia. Ele se levantou e entregou-lhe um bilhete e partiu. Ela abriu o bilhete que dizia: "Você encontrou."
O que significaria isto? Ela suspirou e apagou o abajur. Voltou a dormir e não sonhou mais.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Ei, anos 90!

Depois da Ploc 80, estouro total em todo o Brasil, vem aí: Ploc 90!
Sim, a década que acabou a cinco anos atrás já está com idade suficiente para ser lembrada com nostalgia, segundo os organizadores do evento, que estreiou no dia 1º de novembro. Vai ter Mamonas Assassinas, Raimundos, sertanejo, axé, brit pop, Teletubies, Master System e muitas outras coisinhas que surgiram nos anos 90 (ou a alguns poucos anos atrás).
A festa, é claro, é mais uma grande jogada comercial que vem aproveitar a onda louca de anos 80 que não acaba mais. E parece que pode obter sucesso. Será que vamos ter um revival de artistas decadentes dos anos 90 como Tiririca, bandas de axé da época, Mamonas Assassinas (epa, piada de mal gosto), funk melódico, pagode? A época é tão recente que muita gente ainda não "teve tempo" para afundar no poço do esquecimento, caso que ocorreu com Sidney Magal e Gretchen, dentre outros. O axé ainda vende milhões e lota micaretas, o sertanejo sempre tá na lista dos mais vendidos e em programas de auditório (agora em filme, indicado brasileiro ao Oscar, a coisa não pára!), funk é o ritmo mais badalado dos últimos anos. Talvez só o pagode que decaiu por completo, salvo pouquíssimos grupos, apesar de terem formatos diferentes dos das coreografias bregas. Por ser tão recente, as coisas ruins ainda não tiveram tempo suficiente para se tornarem trash e serem ouvidas como algo bacana, cool, ou será que vai ter gente ouvindo Karametade e dizer que é muito bom porque é trash?
Anos 90 foi a década da decadência nacional e mundial no quesito musical. Os governos de FHC foram marcados por porcarias, poucas inovações, gravadoras cada vez mais determinando a cultura nacional de acordo com seus interesses, a explosão de grupos pré-fabricados. Tudo de ruim dos anos 80 foi fabricado agora em grande escala. A última década ficou tão desgastada que hoje vemos grupos tentando atenuar esse estado de estagnação da música, com a criatividade e buscando outros meios fora das gravadoras, como o mp3 e gravações caseiras. Pelo que se vê, não é ainda o momento para relembrar aquela época pois seus podres ainda são bem visíveis.