segunda-feira, novembro 14, 2005

Reflexão

Ela corria sem os sapatos na praia deserta. A noite iluminava um pouco a areia úmida. Seu destino era indefinido, corria, corria, corria... Ela cai de supetão de joelhos e logo em seguida, com as vestes molhadas da água do mar, deita-se no chão. Contemplando a lua cheia, aquela luz penetrando seus olhos, aquele sentimento de aconchego. A areia suja-lhe os cabelos, mas não liga. Os prédios ao lado são como torres com olhos brilhantes a observá-la. Como um local tão belo como aquele estava tão vazio num momento daqueles? Não havia hora melhor para visitar uma praia, achava a dama noturna. A solidão lhe fazia bem, o sentimento de solidão que tantos renegam estava lhe trazendo prazer, sentia uma melhora no estado de espírito. Mas até quanto tempo ficaria ali, feliz sem ninguém ao lado? Achava que nunca se sentiria infeliz, havia a lua ao lado, havia ela ao lado, havia seu Deus ao lado. O que precisaria mais? Pois quando lhe veio à lembrança momentos felizes, não tão semelhantes ao que vivia naquele instante, momentos em que havia pessoas em volta, seu coração sentiu um pesar. Um pesar por saber que sua felicidade naquela ocasião era incompleta, só via um lado de seu humor. Estava feliz, mas não notava que havia uma outra parte sua que estava completamente vazia e amargurada, necessitando dos gracejos que a lua lhe dava.
Seu céu se apagou, acordou e, sob a escuridão de um quarto fechado, procurou a luz. Ao acender viu um homem. Não o conhecia. Ele se levantou e entregou-lhe um bilhete e partiu. Ela abriu o bilhete que dizia: "Você encontrou."
O que significaria isto? Ela suspirou e apagou o abajur. Voltou a dormir e não sonhou mais.

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