O Quarto - Parte II
Estava numa casa vazia, no meio do nada. Havia algumas roupas surradas do lado de fora secando. A ventania deixavam-nas a balançar pela varanda. Percebeu que aquela casa havia sido abadonada há pouco tempo. Caminha para a cozinha, onde havia algumas moscas e um odor muito ruim, o qual aparentemente era de carne estragada. Alguém deixou comida por lá. Oswaldo não havia achado o que estava procurando e muito menos gostava de estar ali. Acostumado com lugares aconchegantes e de design clean, aquele local realmente não era do seu agrado. Fica postado na saída da varanda, a olhar a estrada e um céu sem fim. Aquela casa era totalmente isolada do mundo. Sua viagem de carro demorou 2 horas até aquele lugar e mesmo assim havia vindo de uma cidadezinha bem do interior, onde passava alguns dias.
Ela tinha falado que era aquele lugar, não havia errado o caminho, tinha certeza disso. A casa era como havia descrito. Os telhados já não a cobria totalmente, havia ali uma pequena plantação de cenoura. A terra não era tratada corretamente, ou parou de ser tratada desde o sumiço dos habitantes daquela área. Se Antônia não quisesse mais vê-lo, saberia da última vez que a viu, porém, neste dia, ela estava ansiosa para o seu reencontro.
Lúcia estava de viagem naquele mês e Oswaldo foi para Rendópolis tratar de ver sua avó que estava muito doente. Na casa dela, seu semblante é de preocupação. Ela estava no leito de morte, sua avó, aquela que tanto lhe alegrou na época de sua infância e tanto lhe aconselhou na juventude. Era triste, seu sofrimento tinha que acabar. Talvez aquela fosse a última vez que a visse, sentiu. Oswaldo, ainda absorto com o estado de saúde da ente, comenta com a mulher ao lado:
-Ela sempre foi minha companheira, mesmo quando brigava com meus pais, ela estava ao meu lado. Quem vai agora ficar?
A moça olha com um sentimento de tristeza para Oswaldo, depois olha para a senhora dormindo na cama.
-É realmente triste, minha família também já foi quase toda embora...-sussurrou nostálgica.
Oswaldo olha para ela e imagina como é perder quase uma família com aquela idade. Antônia aparentava ter 20 anos no máximo. Pobre menina. Começou a tratar a senhora fazia uns 3 meses, e desde então deixava Oswaldo a par do que acontecia na casa. Oswaldo pela primeira vez sentiu algo diferente por aquela menina. Uma mistura de sentimentos. Tinha vontade de alentá-la, de abraçá-la, mas se sentiu preso para isso.
Dois dias depois Oswaldo volta à casa da avó. Finalmente ela tinha partido. Ele se sente desolado, mesmo já sabendo que isso aconteceria
Passado esse tempo, Oswaldo fita-a, lhe segura as mãos e diz:
-Temos muito que aprender sobre sentimentos. Sentimos dor na morte, no amor. A verdade é que vivemos sempre a ponto de nos apaixonarmos e se isso nos chega, sentimos temor, medo, insegurança...
Continuou:
-O momento é confuso e escuro pra mim. Mas me sinto como há muito tempo não me sentia.
E seus olhos congelaram-se.Leia Parte I clicando aqui

